domingo, 25 de setembro de 2011

Agora ouça A hora do sétimo anjo...



De Pirisca Greco, composta em 2005, ano do centenário de Erico Verissimo.

A pena antes tão firme, que doce, na folha branca
A mão que lhe sustentava estava agora tão fria
Final de vida com jeito de romance inacabado
Um solo de clarineta tomando a noite vazia

Se calam tantos fantoches quando o vento é rebeldia
O tempo mostrando as garras vem ceifar outra existência
A alma do escritor verte amor, se faz poesia
E a cruz que lhe acompanha é a cruz da sua querência.

Uma música ao longe ecoou na imensidão
Talvez seja essa passagem, mais um livro a começar
A vida pode ser poeira a escorrer por entre as mãos
Mas a alma nessa hora é raiz de cambará.

O rumo da liberdade não tem caminhos cruzados
Os lírios não se desbotam quando a terra é sentimento
Mais um contador de história seguindo pra eternidade
Deixando suas pegadas pelo tempo e pelo vento.

Então em vez da trombeta, tocou, o Sétimo Anjo,
Um solo de clarineta no seu tom de despedida
A voz de Deus sussurrando, aos poucos, foi lhe mostrando
Que os sonhos que plantamos são maiores que essa vida.

Uma música ao longe ecoou na imensidão
Talvez seja essa passagem, mais um livro a começar
A vida pode ser poeira a escorrer por entre as mãos
Mas a alma nessa hora é raiz de cambará.

Uma música ao longe ecoou na imensidão
Talvez seja essa passagem, mais um livro a começar
A vida pode ser poeira a escorrer por entre as mãos
Mas a alma nessa hora é raiz de cambará.

Uma música ao longe ecoou na imensidão...

Uma apresentação de frases para vocês

Confiram uma apresentação de slides com frases famosas de Erico Verissimo.
Deleitem-se!

Radionovela Olhai os lírios do campo

  Confiram um trabalho acadêmico em formato de radionovela, um gênero que encantou muitas gerações, antes do domínio dos aparelhos de TV. Vocês vão conhecer um pouco dessa obra, que já tem sinopse no nosso blog. Apreciem!


Vídeo com adaptação de O resto é silêncio





O livro narra o suicídio de uma moça, que cai do décimo andar de um edifício em Porto Alegre. Vários personagens passam pelo local: Doutor Lustosa, um desembargador aposentado; Norival, um homem de negócios à beira da falência; Tônio Santiago, um romancista; Aristides Barreiro, um ex-deputado e rico advogado; "Sete", um vendedor de jornais; "Chicharro", um boêmio; e Marina, uma mulher angustiada.
Descrevendo as reações dessas pessoas antes e após o suicídio, Érico Veríssimo analisa o comportamento humano, ao mesmo tempo em que traça o perfil de uma época.
(Resenha disponível em: http://www.skoob.com.br/livro/1575-o-resto-silencio)

Ana Terra, episódio de O Tempo e o Vento


  Ana sentia-se animada, com vontade de viver, sabia que por piores que fossem as coisas que estavam por vir, não podiam ser tão horríveis como as que já tinha sofrido. Esse pensamento dava-lhe uma grande coragem. E ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra. A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino. Ficara louca de pesar no dia em que deixara Sorocaba para vir morar no Continente. Vezes sem conta tinha chorado de tristeza e de saudade naqueles cafundós. Vivia com o medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria, trabalhando como uma negra, e passando frio e desconforto... Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve. E agora ela tinha enterrado o pai e o irmão e ali estava, sem casa, sem amigos, sem ilusões, sem nada, mas teimando em viver. Sim, era pura teimosia. Chamava-se Ana Terra. Tinha herdado do pai o gênio de mula.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quer ganhar uma coleção de livros?

 Pessoal, descobri que o Banco Itaú está fazendo, assim como no ano passado, uma campanha de doação de livros. Basta se inscrever, é gratuito. Você receberá três lindos livros na sua casa!
 Cliquem na figura, e acessem o menu "peça sua coleção"!
 E não se esqueçam de repassar essa ideia!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Novos livros

Como é de costume, na última Bienal do Livro nossa escola pôde comprar novos títulos para o acervo da Sala de Leitura. Confiram os novos títulos, que em breve estarão disponíveis!


 

 




Um vídeo do Capitão Rodrigo

Em 1986, a TV Globo adaptou a obra O Tempo e o Vento em uma minissérie.
Confira a chegada do capitão Rodrigo a Santa Fé.

Um certo capitão Rodrigo


  Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o cap. Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
  — Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!
  Havia por ali uns dois ou três homens, que o miraram de soslaio sem dizer palavra. Mas dum canto da sala ergueu-se um moço moreno, que puxou a faca, olhou para Rodrigo e exclamou:
  — Pois dê! (...)
   — Incomodou-se comigo? — perguntou, jovial, examinando o rapaz de alto a baixo.
  — Não sou de briga, mas não costumo agüentar desaforo.
  — Oôi bicho bom!
  Os olhos de Rodrigo tinham uma expressão cômica.
  — Essa sai ou não sai? — perguntou alguém do lado de fora, vendo que Rodrigo não desembainhava a adaga.
  O recém-chegado voltou a cabeça e respondeu calmo:
  — Não sai. Estou cansado de pelear. Não quero puxar arma pelo menos por um mês. — Voltou-se para o homem moreno e, num tom sério e conciliador, disse: — Guarde a arma, amigo.
  O outro, entretanto, continuou de cenho fechado e faca em punho. Era um tipo indiático, de grossas sobrancelhas negras e zigomas salientes.
  — Vamos, companheiro — insistiu Rodrigo. — Um homem não briga debalde. Eu não quis ofender ninguém. Foi uma maneira de falar...
  Depois de alguma relutância o outro guardou a arma, meio desajeitado, e Rodrigo estendeu-lhe a mão, dizendo:
  — Aperte os ossos.
  O caboclo teve uma breve hesitação, mas por fim, sempre sério, apertou a mão que Rodrigo lhe oferecia.
  — Agora vamos tomar um trago — convidou este último.
  — Mas eu pago — disse o outro.
  Tinha lábios grossos, dum pardo avermelhado e ressequido. (...)
    — Pois le garanto que estou gostando deste lugar — disse Rodrigo. — Quando entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: capitão, pode ser que vosmecê só passe aqui uma noite, mas também pode ser que passe o resto da vida...
  — E o resto da vida pode ser trinta anos, três meses ou três dias... — filosofou Juvenal, olhando os pedacinhos de fumo que se lhe acumulavam no côncavo da mão.
  E, quando ergueu a cabeça para encarar o capitão, deu com aqueles olhos de ave de rapina.
  — Ou três horas... — completou Rodrigo. — Mas por que é que o amigo diz isso?
  — Porque vosmecê tem um jeito atrevido.
  Sem se zangar, mas com firmeza, Rodrigo retrucou:
  — Tenho e sustento o jeito.
  — Por aqui hai também muito homem macho.

Olhai os lírios do campo


O médico sai do quarto no. 122. A enfermeira vem ao seu encontro.
- Irmã Isolda - diz ele em voz baixa -, avise o doutor Eugênio. É um caso perdido, questão de horas, talvez de minutos. E ela sabe que vai morrer...
Silêncio. Uma golfada de vento atravessa o corredor. Ouve-se o ruído seco duma porta que bate. A irmã de caridade sente um calafrio, lembrando-se da madrugada em que morreu o paralítico do 103; a enfermeira de plantão lhe contara horrorizada ter sentido o sopro gelado da morte entrar no quarto do doente.
- Ele está na casa da família, doutor?
- Não. Telefone para a chácara do sogro, em Santa Margarida. Diga ao doutor Eugênio que a Olívia quer vê-lo. Talvez ele ainda possa chegar a tempo...
Encolhe os ombros, pessimista. Acende um cigarro com dedos um tanto trêmulos.
Irmã Isolda caminha para o fundo do corredor, entra na cabina do telefone, disca para o centro.
- Alô! Alô! Interurbano? Aqui é o Hospital Metropolitano.
As lágrimas lhe escorrem pelo rosto.
"... sobreveio uma hemorragia...", diz a voz velada e distante.
Como se tivesse recebido a mensagem de desgraça primeiro que o cérebro, o coração de Eugênio desfalece, suas batidas se tornam espaçadas e cavas.
"... O doutor Teixeira Torres diz que é um caso perdido. Ela sabe que vai morrer... pediu para vê-lo..."
Eugênio sente essas palavras com todo o corpo, sofre-as principalmente no peito, como um golpe surdo de clava. Uma súbita tontura lhe embacia os olhos e o entendimento. Deixa cair a mão que segura o fone. Só tem consciência de duas coisas: duma impressão de desgraça irremediável e da pressão desesperada do coração, que a cada batida parece crescer, inchar sufocadoramente. A respiração é aflitiva e desigual, a boca lhe arde, o peito lhe dói - é como se de repente lhe tombasse sobre o corpo toda a canseira duma longa corrida desabalada. Pendura o fone num gesto de autômato e dirige-se para a janela, na confusa esperança de que alguém ou alguma coisa lhe grite que tudo aquilo é apenas um sonho mau, uma alucinação.
O sol da tarde doura os campos. O açude reluz ao pé do bosquete de eucaliptos. Mas Eugênio só enxerga os seus pensamentos. E dentro deles está Olívia, pálida, estendida na mesa de operações, coberta de panos ensangüentados. "Ela sabe que vai morrer... pediu para vê-lo..." Ele precisa ir. Imediatamente.
Uma voz infantil flutua no silêncio da tarde, num grito prolongado. É o rapazito que vai dar de beber a uma vaca malhada, tangendo-a para a beira do açude. As imagens do animal e da criança se refletem na água parada. Paz - pensa Eugênio -, a grande paz de Deus de que Olívia sempre lhe falava...
De novo o silêncio, e uma sensação de remorso, a certeza de que vai começar a pagar os seus pecados, a expiar as suas culpas.
Os olhos de Eugênio se inundam de lágrimas. Passam-se os segundos. Aos poucos a respiração se lhe vai fazendo normal e o que ele sente agora é uma trêmula fraqueza de convalescente.
Mas da própria paz dos campos e da idéia mesma de Deus lhe vem de repente uma doida e alvoroçada esperança, que lhe toma conta do ser. É possível que Olívia se salve. Seria cruel demais se ela morresse assim. Acontecem milagres - ele se lembra de casos...
Apanha o chapéu e precipita-se para a escada. Mas por que se detém de súbito no patamar, como se tivesse encontrado um obstáculo inesperado? Tem aguda consciência dum sentimento aniquilador: a sua covardia, aquela imensa e dolorosa covardia num momento em que devia esquecer tudo e correr para junto de Olívia.
Fica um instante parado, amassando o chapéu nos dedos nervosos. Sua mulher está lá embaixo no jardim e agora ela pode descobrir toda a verdade... Ele precisa inventar uma desculpa para aquela viagem precipitada. Olívia está agonizante, seria monstruoso deixá-la morrer sem lhe dizer uma palavra de carinho, sem ao menos lhe pedir perdão.
E no instante mesmo em que formula esse pensamento, Eugênio sente que seu orgulho e a sua covardia não lhe permitirão esse gesto de humildade diante de estranhos.
Meu Deus, mas eu preciso ir, custe o que custar, aconteça o que acontecer!
Começa a descer a escada devagar... Imagina-se no hospital. Olívia estendida na cama... O dr. Teixeira dando explicações friamente técnicas. Os outros... Olhares de quem tudo sabe... Cochichos... Quem? Amantes... Ah! Ele é o doutor Eugênio Fontes, casado com a filha daquele ricaço, o Cintra, conhece?
Eugênio agarra com força o corrimão, o coração a bater-lhe com desesperada fúria.
Lágrimas quentes lhe escorrem pelas faces. Ele as enxuga, todo trêmulo, e caminha para o jardim, gritando:
- Honório! - O chofer aparece. - Tire o carro depressa. Precisamos ir à cidade numa corrida. É um caso urgentíssimo.
Eunice lê no jardim, sentada à sombra dum amplo guarda-sol de gomos vermelhos e azuis.
- Preciso ir à cidade a toda pressa - diz-lhe Eugênio, esforçando-se por dominar a voz.
(...)
O auto põe-se em movimento, passa o grande portão da chácara e ganha a estrada real.
- A toda velocidade, Honório!
Sem se voltar, o chofer responde:
- Quando a gente entrar na faixa de cimento, vou embalar o carro pra noventa.
A luz da tarde é doce e tristonha. O gado pasta nos campos, um quero-quero solta o seu grito estridente, um cachorro late longe.
Eugênio sente vontade de saltar para o banco da frente e confiar a sua angústia e os seus segredos ao chofer. No fundo ele sabe que pertence mais à classe de Honório que à de Eunice. Nunca o pôde tratar com a superioridade com que a mulher e o sogro lhe dão ordens, como se ele fosse feito duma matéria mais ordinária, como se tivesse nascido exclusivamente para obedecer.
- Precisamos chegar à cidade em menos de três horas, Honório. É uma questão de vida e de morte.
Eugênio cerra os olhos. Olívia pálida, estendida na cama, morta... 

Textos de Érico Veríssimo

Confira alguns haicais (poemas de três versos, de origem japonesa) escritos por Érico Veríssimo.



SERVIÇO CONSULAR

 Com cartas brancas,
O senhor cônsul solta
Pombos de papel.


 PRIMAVERA

Libélulas? Qual!
Flores de cerejeira
Ao vento de abril.


 INVERNO

Na alva neve,
A rígida mancha azul
Da ave morta.


 JARDINEIRO INSENSATO

Passou a vida
A cultivar sem saber
A flor da morte.


VERÃO

Moscardo verde,
Fruta madura no chão...
Ó mel da vida!

Gota de orvalho
Na corola dum lírio:
Joia do tempo.

Maratona Érico Veríssimo

  Após um tempo sem postagens, retorno com alguns informes sobre a Maratona Érico Veríssimo, evento que ocorrerá em todas as escolas da Rede Municipal.
  Nossa escola iniciará o trabalho com palestras, feitas pela Sala de Leitura, que sensibilizará os alunos para conhecer o autor.
  Em seguida, começarão as oficinas de leitura e escrita, para culminar nas redações que disputarão a melhor colocação na Academia Brasileira de Letras, que promove o concurso junto à SME.
  Vamos começar conhecendo um pouquinho sobre Érico Veríssimo.
Érico Lopes Veríssimo nasceu em Cruz Alta-RS em 17 de dezembro de 1905, filho de uma família de prestígio do interior.
Aos 13 anos, Érico Veríssimo já lia autores nacionais e estrangeiros com desenvoltura. Em 1920 foi estudar em Porto Alegre, no Colégio Cruzeiro do Sul. Seus pais separam-se em 1922.
Sua mãe, o irmão e a irmã foram morar na casa da avó materna. Para ajudar no orçamento, Érico tornou-se balconista no armazém do tio, até que conseguiu uma vaga no Banco Nacional do Comércio. Nessa época começou a escrever seus primeiros textos.
A família se mudou para Porto Alegre, mas dificuldades financeiras os fizeram voltar a Cruz Alta, e Érico voltou a trabalhar como bancário, mas acabou aceitando a proposta de um amigo de seu pai para tornar-se sócio da "Pharmacia Central".
Em 1927, além das obrigações da farmácia, dava aulas de literatura e inglês. Começou a namorar sua vizinha, Mafalda, então com 15 anos.
Em 1929 Érico publicou alguns contos no jornal da cidade. Com a falência da farmácia em 1930, o autor mudou-se para Porto Alegre. Passou a conviver com escritores renomados, como Mario Quintana, Augusto Meyer, Guilhermino César e foi contratado para o cargo de secretário de redação da "Revista do Globo".
Em 1931 casou-se com Mafalda Halfen Volpe e começou a trabalhar como tradutor. Em 1932 passou a atuar no departamento editorial da Livraria do Globo. Sua obra de estréia, "Fantoches", era uma coletânea de histórias em sua maior parte na forma de peças de teatro.
Em 1933, seu primeiro romance, "Clarissa" foi lançado e fez sucesso. Em seguida, "Música ao longe", foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis. Outro romance, "Caminhos cruzados", recebeu o Prêmio Fundação Graça Aranha. Foi publicado, ainda naquele ano "A vida de Joana d'Arc".
Em 1934 e 1935, nasceram seus filhos Clarissa e Luis Fernando (o famoso Luis Fernando Veríssimo)
Em viagem ao Rio de Janeiro, Veríssimo fez contato com vários escritores, como Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e  José Lins do Rego.
Publicou, nessa época, vários livros para crianças.
Em 1938 lançou um de seus maiores sucessos, "Olhai os lírios do campo".
Em 1941 passou três meses nos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado americano. Suas impressões dessa temporada estão no livro "Gato preto em campo de neve".
Temendo a ditadura Vargas, Érico aceitou o convite para lecionar Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia e mudou-se para os Estados Unidos com a família.
De volta ao Brasil lançou, em 1946, "A volta do gato preto" e começou a escrever "O tempo e o vento". Previsto para ter um só volume, com aproximadamente 800 páginas, e ser escrito em três anos, acabou ultrapassando as 2.200 páginas, sob a forma de trilogia, consumindo quinze anos de trabalho.
Em 1953, a convite do governo brasileiro, Érico Veríssimo assumiu em Washington (EUA) um cargo na Organização dos Estados Americanos, substituindo a Alceu Amoroso Lima. Visitou diversos países da América Latina.
Em 1962 acabou "O Arquipélago", concluindo a trilogia de "O tempo e o vento".
Em 1971, "Incidente em Antares".
Em 1973 lançou um livro de memórias, sob o título de "Solo de clarineta".
Deixou inacabado o segundo volume de suas memórias, além de esboços de um romance que se chamaria "A hora do sétimo anjo", quando morreu subitamente, em 28 de novembro de 1975.